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terça-feira, abril 26, 2011

Memórias tecidas

terça-feira, abril 26, 2011 1
Made of Silk by Kmye Chan
Querer sentir querer

aflições passadas
ambições roubadas
sensações forçadas

sem sentidos
as ruas são todas iguais
caóticas encruzilhadas

há um som ainda que nem
um gemido sequer ouse
chegar ou partir

sem sentidos
na boca há um gosto
ainda que ela não sinta

o perfume lá está
guardado entre as narinas
o lençol e a pele - de seda

ainda que ela
não mais seja tocada
nas mãos dele há tanto tato

querer sentir querer
sentir querer sem ti
querer sentir em ti

um querer ficou perdido
entre pontos de memórias
de tecidos - mortos e vivos

um dia serão todos esquecidos
desatados daquela velha linha
que os prende e que os faz

sentir querer sentir

segunda-feira, abril 25, 2011

Razões

segunda-feira, abril 25, 2011 0
Andei pela casa
vazia
a esmo
olhava
para os móveis
imóveis
          todos eles
          todos nós


levava no peito
a saudade
daquela
antiga
sensação


e no estômago
há ânsia ácida
a deixar um buraco
onde devia haver
coragem para mover
os imóveis
               todos eles
               todos nós


andei exausta
a procurar
e vez ou outra
a perguntar:
                 - o quê?


e foi só
quando parei
de andar em círculos
que encontrei:
                     razões.

Already Gone by RedSigns
NOTA da autora: Abrindo a caderneta de poemas guardados para que não fossem rasgados, sentimentos contidos, momentos sofridos. A começar por este, escrito em janeiro passado. Hoje, já partida, a dor não é menor, mas já não é a mesma. A saudade não pesa da mesma forma sobre o peito. Um ácido ainda corre no estômago e não arde menos. Mas os imóveis, uma vez movidos, nunca mais serão bem lembrados em suas antigas posições, exceto numa fotografia ou outra, virada na estante, pouco a pouco coberta pelo pó que o tempo traz.
Um caminho aberto à frente, não é menos bifurcado que aquele já trilhado atrás. É bom que se leve nas mãos uma mala, ainda que seja imensa, que pese leve, pois a estrada é longa, o caminho, árduo, e a bagagem, assim como a passagem, intransferível.

sábado, abril 23, 2011

(In) Decisões -Crônica

sábado, abril 23, 2011 0
Crônica publicada no caderno
Mulher Interativa - Jornal Agora/RS
Abril/2011 // Ilustração by Lorde Lobo
Quarta-feira da semana santa, véspera de feriado – Tiradentes – e prévia de Páscoa. O tempo parece incerto, todo ele: do climático – que oscila em ondas úmidas de um ar quente extremamente inapropriado, tanto aos cabelos recém-escovados, quanto aos chocolates recém-embalados – ao cronológico, da fila que parece aguardar numa euforia estática do lado de fora da loja de trufas, espreitando os últimos itens que, pouco a pouco, se esvaem das prateleiras dos presentes de última hora.

Haja paciência, santa paciência, como tudo o que se segue em tal semana. Especialmente os chocolates, santos chocolates, prazeres divinos que, conforme sugere (ou ordena?) a data, devem ser doados sem que se espere qualquer retorno, mas, caso seja retribuído o carinho de cacau, é de bom tom aceitar, agradecer e fazer o sacrifício de comê-lo.


Consumir os presentes provenientes das escolhas alheias é a tarefa mais fácil dessa data. Fácil, deliciosa, porém onerosa: se o peso do consumo exacerbado (de chocolates, entre outras coisas) não cair sobre a consciência, cairá inevitavelmente, mais tarde, sobre a balança. E aí estão dois exemplos apropriados dos ensinamentos religiosos que a data recupera: a culpa seguida pela penitência...  

Haja paciência, santa paciência!

Uma vez tomada uma decisão – mesmo uma das mais simples, como a degustação indisciplinada das delícias de Páscoa – é preciso prepara-se para arcar com suas inevitáveis consequências. Há quem decida assumir uma ignorância consciente e alongá-la pelo tempo que for permitido, comendo, gastando e vivendo como se não houvesse amanhã, ao menos até que o amanhã venha, trazendo consigo uma enxurrada de realidade estraga-prazeres. Aí, resta fazer o controle de danos e torcer que os prazeres proporcionados pela imprudência tenham valido a pena. E há os precavidos – que valem por dois e preocupam-se por dez – que avaliam, calculam e planejam os atos, prevendo destes os gastos e, assim, evitando – ou adiantando e parcelando em suaves prestações – futuras intempéries.

A fila anda, a porta se abre e a loja, que oferece opções já um tanto limitadas, pelo adiantar da hora, recebe, enfim, mais uma cliente – apressada, ansiosa e indecisa – igual a todas as anteriores e as que estão por vir. As prateleiras, já escassas de sabores embalados, contrariam o consenso popular, provando que, em algumas situações, quanto menores as opções disponíveis, mais difícil é fazer a escolha certa... Certa de que aquela é mesmo a melhor decisão, e não apenas a melhor dentre aquilo que se tem, pois

numa cesta de itens ­– sejam eles frutas, sejam eles trufas – podres,
lançar mão de um menos tocado não o torna íntegro.

E se fazer uma escolha para si mesmo já é uma tarefa árdua, escolher o presente alheio, então... É o tipo de coisa que faz com que as filas andem mais devagar, enquanto a cliente vaga, sem pressa, entre suas opções e suas (in) decisões, quer sejam de vida, quer sejam de Páscoa. E cresce a fila dos que aguardam ansiosos, ainda do lado de fora, para, em breve, fazer o mesmo.

O teu sorriso

Foto by Ju Blasina
[Modelo: V.]
Ao W.






De tudo
o que
mais sinto
falta
agora
nada
é maior que
o teu sorriso.

sexta-feira, abril 22, 2011

Projeto Videopoemas: De que lado

sexta-feira, abril 22, 2011 1
Dando continuidade ao projeto de videopoesias [que vem crescendo, crescendo e se desenvolvendo, muito obrigada!], elaborado em parceria com V. Camargo Junior [do Balcão das artes impuras], eis aqui uma interação poética entre o "Poema dos lados" [do V.] e o meu, escrito em resposta, "Poema do lado de dentro"

E afinal, de que lado se está?

terça-feira, abril 19, 2011

Disritmia

terça-feira, abril 19, 2011 0
Queen by Mckean

Há um buraco bem no meio
do meu peito. um vazio
que insiste em sugar
a vida que bate em
(im) pulsos
disritmados

ainda que meio cheio
de nada
não passa de um buraco
meio vago.
o que lhe completa?
eu pergunto. e um eco segue

buraco adentro
em busca de respostas
e só encontro a mim mesma
presa em emboscadas internas
a explorar o buraco que me traga
o peito aberto

só há nele uma dor
sem ferida ou sangrar
sem pássaro qualquer
[quer fosse azul]
nem sequer cicatriz
só um buraco a doer

e a crescer e crescer
e nada me resta a fazer
a não ser assistir ao ir
e vir das coisas que nele
trago e cuspo, arrependida
meu buraco só se alimenta de vida

há um buraco bem
no meio do meu
peito que não me toma
de todo por um triz.
há um buraco e eu
que ainda teimo em ser feliz

sexta-feira, abril 15, 2011

Projeto Videopoemas: Saber-se

sexta-feira, abril 15, 2011 4
Novidade no P+2T: primeira publicação da série de videopoemas elaborados num projeto em parceria com V. Camargo Junior [do Balcão das artes impuras]. Acompanhem! Sugestões de poemas para incluir na lista dos que estão por vir, serão muito bem-vindas [afinal, qual o seu favorito dentre aqueles que chamo de meus?] - Thanks a lot!
- JuB.


Declamação do poema "Saber-se", de e por Ju Blasina, 
filmado por V. Camargo Junior.

Assombrados

by Audrey Kawasaki
Na prática, se não sabia, ela bem que desconfiava onde poderia ficar o lugar que ele tanto buscava. Só no imaginário é que não. Via ela nos olhos dele uma ânsia que beirava o absurdo. E nele ela brilhava feito chama! Não era um brilho comum, era o brilho de quem anseia mais do que quer. Via os medos dali fugirem num piscar ou noutro de olhos, entre sorrisos e beijos - verdadeiros, todos ele, os sorrisos, os beijos, as fugas, os medos, os olhos, os dois. E ela ousava saber-lhe os segredos, ousava tirar-lhe os medos, ousava ser mais do que ter. Só não ousava saber além do que julgava ser capaz de conter. E entre o querer de um e o poder de outro, nada secretos estavam eles, os sonhos... Sonhos que o despertar repudia. E era na sombra da distância que separava tais coisas que os problemas encontravam brechas por onde espreitar. No mesmo espaço onde a vida esperava a chance de acontecer. Inevitavelmente, um comeria o outro. Era tudo uma questão de tempo... Nenhum dos envolvidos pretendia lançar mão da primeira aposta. Antes ser assombrados por dúvidas que livres de tudo, livres de todo... o resto, é resto.


NOTA: Inspirado no poema "Lar em Sabeonde", de V. Camargo Junior, publicado no Balcão das artes impuras. 

segunda-feira, abril 11, 2011

Mulheres [in] Possíveis #2

segunda-feira, abril 11, 2011 2
Blasina by Chadutt





Pensava
ela que
podia ser
e era



mulher
demais
para um
homem









Conheça mais trabalhos da fotógrafa, Monique Chadutt, [AQUI]

sábado, abril 09, 2011

Completos, estranhos - crônica

sábado, abril 09, 2011 2
[Publicada no caderno Mulher Interativa - Jornal Agora/RS]
Ilustração by Lorde Lobo

Se um casamento pode, muitas vezes, trazer à boca um gosto amargo, oriundo das palavras mal digeridas, das não ditas, das mal pensadas, das excessivamente repetidas tornando o convívio um tanto indigesto, experimente a acidez de uma separação. Por mais civilizadas que duas pessoas possam ser – ou pretender assim o ser – não há divórcio que, em algum momento, não mande a moral e os bons costumes ‘pros diabos! E a casa, que até outro dia fora chamada de lar, dá lugar a um imenso - e do mais absoluto mau gosto - barraco! 

Desaforos, desabafos e desafetos... E aqueles dois seres que, há pouco, formavam um “nós”, quase um, tornam-se dois “eus” de comunicação nada agradável e pouco inteligível. Ao menos por um tempo. Tempo esse longo o suficiente para sobrepujar a gama de memórias – boas, ruins, mistas – que levaram anos e anos de convívio para serem lapidadas.  

O rancor cai sobre nós como uma bigorna desgovernada!

Ninguém sabe dizer com precisão quando começa uma separação. Imagina-se que seja algo ocorrido entre o fim de um “quem somos nós?” e o início de um “quem sou eu?”. Não que alguma dessas perguntas venha – ou precise vir – a ser respondida um dia, mas o simples brotar das interrogações recorrentes acaba por trazer consigo um pequeno fio que, quando puxado, seja por curiosidade ou ignorância, arrasta um enorme novelo de problemas sobre nós.

Feitas as perguntas, puxado o fio da meada, enchidas a boca, mente e alma de amargura, a separação se faz presente. E o que foi do passado? Já foi, e o que foi, foi, agora, pouco importa. E o que será do futuro? O que será, será, ainda não é, ainda não foi, não se pode prever, nem adiar, escolher ou adiantar. O que se tem é o lugar onde se está: um fragmento daquilo que se conhecia como inteiro, mas que já não era bom o suficiente, grande o suficiente... já não era o suficiente para coisa alguma e ponto.

Quando se passa, pensa ou presencia uma separação, primeiramente imagina-se que o pior nela são as brigas, as ofensas, as mágoas adquiridas, o transformar daquele que foi seu antigo grande amor em seu mais novo e cruel inimigo. Ainda que não seja essa intenção, ainda que o desejo seja tê-lo eternamente em seu mais seleto grupo de grandes amigos. Imagina-se ainda que o mais difícil seja desvencilhar vidas tão bem entrelaçadas, o dia-a-dia de um atrelado ao do outro. E separar as contas e dividir os bens e descobrir o que fazer com os amigos em comum: enfileirá-los e submetê-los a um constrangedor uni-duni-te? Esperar e sofrer ao vê-los tomando distância, rumo ao “inimigo”? Admitamos, não é nada fácil ser amigo de um casal recém-separado! Quando se apoia a um, se magoa o outro, quando se fica aguardando na imparcialidade, se corre o risco de ser mal compreendido por ambos, quando se tenta abraçar os dois, se é pressionado até explodir. Como diria L. F. Veríssimo: 

Respeito e consideração por aqueles que estão passando pela separação de um casal amigo.

Passar por uma separação requer, mais do que nunca, o exercício da arte do desapego. Não só o abrir mão de pessoas e bens importantes, mas também abrir mão de um futuro que julgávamos conhecer. E de uma série de pequenas coisas que só se mostram valiosas com o passar do tempo: aquele filme que você nunca mais conseguirá ver, aquela música que nunca mais tocará em seus ouvidos da mesma forma, as tantas piadas que não mais serão entendidas. Uma risada que nunca mais será ouvida tão de perto. É a transformação de uma realidade e, com ela, a transformação irreversível de um ser – ou de dois, ou de vários daqueles cujas realidades tangenciavam aquela que já não existe.

Mas o que fazer? Aquilo que parece ser a “coisa certa”, pelas razões erradas? E, afinal, o que é certo e o que é errado quando se fala de amor? Ah, estamos falando de separação, logo, não há mais amor para se discutir, certo? Errado. Ainda há amor, assim como ainda há futuro e há chance para a felicidade – de ambos, mesmo que juntos já não sejam aquele “nós”. Há vida. E há, principalmente, a transformação de tudo o que está envolvido no processo. Sejam eles um novo “eu”, um novo “tu”, em novos presentes e novos futuros.

Que sejam eles novos, que se tornem completos, mas que, com isso – e apesar disso – jamais se tornem estranhos.

sexta-feira, abril 08, 2011

Mulheres [in] Possíveis

sexta-feira, abril 08, 2011 2
Blasina by Chadutt








"She used to be regular women. Every night, she had just one life, one love and one vicious: be delicious - except when she was up side down - and she was! She was the biggest one ever..."











Tradução livre, da autora: "Ela costumava ser mulheres normais. A cada noite, tinha apenas uma vida, um único amor e um único vício: ser deliciosa - exceto quando estava de cabeça para baixo [i.e. de pernas para cima] - e ela era-e-estava! Era o maior de todos e todas essas coisas... sempre"

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Poema Limítrofe


Há um poema no meio de nós
e ele é extenso
e suas rimas são confusas
e sua métrica, complexa

Há um poema no meio
de nós
no meio da cama
no meio da noite

Há um poema
que nos separa e nos
costura. feito borda
nos emoldura

Do poema que dorme
no silêncio que há
no meio de nós
pouco se lê

E do que se lê, pouco
se sabe, e do que se sabe
pouco se fala e a noite segue
passando, feitos folhas de lençol

Enquanto permanecemos lado a lado
de olhos abertos
e punhos cerrados
imóveis e ainda acordados

Pois há um
poema
no meio
de nós


E quem poderia dormir com um silêncio desses?

segunda-feira, abril 04, 2011

Vitrine viva

segunda-feira, abril 04, 2011 1
Arte de McKean para Sandman
Temos muita, sim
muita satisfação
satisfação em atendê-lo
senhor
só não nos peça muito
muito mais
mais do que temos

a oferecer
nesta vitrine
viva
só temos carnes
e peles embaladas em roupas
e rostos expressos em gritos
de uma já voz rouca

e se a lágrima a rolar
já não o molha, senhor
e se o doce já não o faz
salivar, pedimos
desculpas, senhor
por não mais atendê-lo
melhor que isso

perdoe-nos, senhor, mas os sonhos
[aqueles que eram tão bons]
há pouco, se acabaram
se ainda houver um querer, leve
leve consigo mais uma amostra
dos nossos serviços, aproveite
e leve, enquanto é gratuito

pois se pusermos um preço, meu
caro senhor, é
bem provável
que nenhum de nós possa pagá-lo.

domingo, abril 03, 2011

Pupa - miniconto

domingo, abril 03, 2011 1
"See no evil" by Kmye Chan




Lia melancolia para onde quer que olhasse. Especialmente ao olhar para dentro, no cerrar das pálpebras do piscar dos olhos - fossem eles seus ou alheios. Pouco importava - e muito! Desconfiava ter ela, a melancolia, onde antes moravam as meninas-dos-olhos. Nem mesmo elas eram as mesmas! Preferiam ser agora chamadas de pupilas. Aff! Era dela toda a culpa: a melancolia que lia, nas palavras, nomes próprios.

sexta-feira, abril 01, 2011

Além de mim

sexta-feira, abril 01, 2011 2
Ilustração by Audrey Kawasaki
O que mais
dói no pensar
do último dia
é saber

que tudo permanecerá
vivendo além de mim
tudo permanecerá
igual, apesar de mim

e os filmes em telas claras
e escuras salas seguirão
rodando sem uma pausa sequer
assim como a música no rádio

A contar histórias para além de mim

as crianças
nas ruas estarão
a brincar, a correr
a crescer, a morrer

e os bêbados nos bares
beberão suas doses
de angústia e solidão
num silêncio só menor que o meu

e os amantes
cometerão os mesmos erros
que só o tempo os permite
cometer, repetir, reverter

E amarão com a dor de uma certeza efêmera

enquanto eu levarei comigo
um mundo fechado nos olhos
a dormir sem mais sonhar
e nem mais poder duvidar

pois neste dia
fatídico e triste
que deverá ser noite
e fria, como serei eu

descobrirei, enfim
a verdade que só a terra traz
que só aos mortos cabe: uma piada
da qual nem sequer poderei rir

Da vida que segue eterna, para além de mim

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